PSB novamente distante do Planalto

Barbosa, na primeira reunião oficial com a direção do PSB: ainda indeciso (Foto: Humberto Pradera/PSB)

A desistência de Joaquim Barbosa de disputar a eleição presidencial frustrou dirigentes, mas não surpreendeu o PSB, ciente do alto risco do investimento político. Uma ala do partido até torcia para que o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal recuasse, deixando os socialistas sem candidatura própria e livres para firmar alianças regionais com legendas como o PSDB e o PT, para as quais a postulação de Barbosa era um obstáculo. A decisão do ex-ministro, porém, é motivo de festa para outros partidos. Ao rejeitar a empreitada, o magistrado aposentado desprezou índices de intenção de voto que outros concorrentes matariam para ter. Sobretudo aqueles que foram solenemente ultrapassados por ele nas últimas pesquisas, antes mesmo de seu nome ser confirmado na disputa.

Nacionalmente, o investimento em Joaquim Barbosa ampliaria o espectro favorável ao PSB em praticamente todas as correntes do eleitorado, desde o PT e PDT, mais à esquerda, até o centro, ninho do PSDB e da Rede. O candidato da toga abocanharia até mesmo algumas porções de votos na ultradireita, representada por Jair Bolsonaro. Todos temiam perder uma fatia para o ex-ministro, nem tanto pelo seu posicionamento político – até agora um ilustre desconhecido de eleitores e adversários – mas porque além de representar a única novidade concreta até o momento entre os pré-colocados na disputa, sua imagem viria carregada de moralismo e ética, materiais valiosos e raros na política dos últimos tempos.

Entretanto, há outros setores dentro do próprio PSB respirando aliviados com a decisão, principalmente candidatos a governador, para quem a prioridade máxima sempre foram as alianças regionais para facilitar suas eleições – ou reeleições. Isso inclui, evidentemente, o governador Paulo Câmara, que a partir de agora está livre para, quem sabe, transformar o namoro com o PT pernambucano em noivado. Ao não ser que os socialistas iniciem a discussão sobre outro nome. Mas basta olhar os atuais quadros do partido para perceber que uma candidatura própria com real viabilidade eleitoral tornou-se novamente um sonho distante.

Depois da explosão de crescimento nacional do PSB em 2014, a partir do lançamento da candidatura de Eduardo Campos como representante concreto da terceira via, o partido volta ao leito natural de eleições anteriores e deve assumir mais uma vez um papel de coadjuvante no pleito presidencial. A despeito de os socialistas terem passado a governar o maior número de brasileiros no país desde as desincompatibilizações de governadores, em abril.

A direção nacional da legenda ainda vai levar algum tempo para assimilar o golpe e maturar a decisão de Barbosa. Em seguida, porém, deve definir critérios para uma aliança. Metido em um turbilhão interminável após a prisão de Lula, é improvável que o PT seja a opção principal. Inclusive porque, aos socialistas, interessaria o apoio à finada candidatura do ex-presidente, mas os nomes de Fernando Haddad ou Jaques Wagner, virtuais herdeiros da vaga petista, não são tão atraentes.

Por outro lado, o palanque de Ciro Gomes (PDT) – tendo ou não um petista na vice –  não seria de todo descartável. O próprio Ciro já pertenceu aos quadros do PSB, embora tenha sido “estimulado” por Eduardo Campos a sair, por causa do seu comportamento divergente e intempestivo. Mas para quem já admitiu publicamente ter superado gritantes diferenças com o PT, inclusive o doloroso apoio da bancada socialista ao processo de impeachment de Dilma Rousseff, a aproximação com Ciro Gomes passaria a ser uma questão minimamente complicada.