A louca corrida pelo poder

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Terminou no domingo o prazo oficial para registro de candidaturas às eleições deste ano, e nada menos que 14 nomes se alinham na corrida pelo Palácio do Planalto, alguns com perfis parecidos, outros totalmente antagônicos. O que interessa é que este será o pleito presidencial mais concorrido desde o de 1989, o primeiro após a redemocratização, que reuniu 22 candidatos em uma salada de ideias. O curioso é que, mesmo em tempos de absoluto descrédito da classe política, ainda exista tanta gente com esperanças de conquistar a confiança do eleitorado e ser conduzida ao poder. Abaixo, uma rápida análise de cada palanque.

A maldição da vala comum

Lula na assembleia de fundação do PT, em 1980, no Colégio Sion (SP): partido sem patrão (Foto: Arquivo/PT)

Desde a sua fundação, em fevereiro de 1980, até meados de completar a maioridade, o PT era admirado até por adversários pelo extremo respeito à opinião das suas bases, e pela sua efetiva democracia interna. Ao que parece, porém, foi só experimentar uma dose mais forte de poder para que toda essa construção desabasse, empurrando a legenda para o terreno da institucionalidade partidária. E não parou aí. Suas feições se desfigurariam de vez logo depois, no momento em que uma nata petista foi descoberta com a mão na botija. Denúncias e processos de corrupção jogaram o partido definitivamente na vala comum, onde hoje faz companhia à maioria das grandes siglas brasileiras.

Aliança de sangue

Depois de mandar, da prisão, recados ao PT pernambucano de apoio à candidatura de Marília Arraes, Lula avalizou sua retirada do páreo (Foto: Divulgação)

Os “sacrifícios” das candidaturas da vereadora Marília Arraes (PT) ao governo de Pernambuco e do ex-prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), em Minas Gerais, em nome da composição de uma aliança nacional entre PT e PSB, foi um duplo puxão de tapetes. Não dá para negar que a estratégia, politicamente, até faz sentido, quando se pensa na construção de um acordo em favor de um objetivo mais amplo, no caso, a Presidência da República. Entretanto, analisando o cenário em que se deram as cassações das candidaturas, a iniciativa dos dois partidos beira o autoritarismo.

Fidelidade de mão única

Articulações entre petistas e socialistas mais uma vez isolaram Ciro Gomes, deixando o presidenciável do PDT sem opções de alianças em 2018 (Foto: Arquivo/Blog)

A relação do presidenciável Ciro Gomes (PDT) com petistas e, principalmente, socialistas, nunca foi um céu de brigadeiro. Ao longo dos oito anos em que esteve filiado ao PSB, após deixar o PPS – sigla pela qual disputou pela primeira vez a Presidência da República – o ex-governador cearense sempre buscou um espaço de protagonismo, mas terminou ofuscado pelo brilho do comandante da legenda, o ex-governador Eduardo Campos. Com o PT a situação não é tão diferente. Sua fidelidade ao ex-presidente Lula nunca chegou a ser retribuída à altura, por mais que tenha se empenhado em agradar. Esta semana, o acordo PT-PSB foi uma nova prova da falta de “retorno” dessa relação, que pode ter se deteriorado de vez.

Quem tem medo do eleitor?

Plenário da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (01), na primeira sessão após o fim do recesso parlamentar (Foto: Renan Ramalho/G1)

Xingamentos, cobranças firmes de eleitores em público e até em aviões, críticas às mordomias ofertadas pelo cargo, desprezo e outras agressões. Difícil encontrar um deputado federal que ainda não tenha vivenciado ao menos uma dessas “intercorrências”. Mas ou eles têm o couro muito grosso ou foram abençoados com ouvidos de mercador. Indiferentes ao descrédito e à revolta de boa parte da sociedade com a classe política, pelo menos 90% dos integrantes da Câmara dos Deputados estão prontos para disputar a reeleição. Dos 513 parlamentares federais brasileiros, pelo menos 410 já declararam essa intenção, e o número pode chegar a inacreditáveis 480 otimistas.

Campanha de vacas magras

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A situação não está nada fácil para a classe política. Depois de amargar a proibição, pela Justiça, dos financiamentos privados de campanha – que estabeleciam relações pouco republicanas entre eleitos e seus “patronos” – o jeito foi criar táticas alternativas de arrecadação de fundos para a eleição. Entre elas, o crowdfunding, mais conhecido como “vaquinha”. Mas a investida, bem sucedida em países como os Estados Unidos, parece estar indo pro brejo. Liberados desde maio pela Justiça Eleitoral para arrecadar doações, alguns pré-candidatos iniciaram suas vaquinhas on line, mas até agora não conseguiram arrecadar, juntos, sequer um milhão de reais. Não chega a 1% do total de gastos permitido a uma única campanha presidencial.

Me engana que eu gosto

Jair Bolsonaro no Roda Viva: pouco conteúdo, propostas radicais e respostas prontas. Pacote completo para atrair o eleitor insatisfeito (Foto: Reprodução)

Pouco afeito a debates e entrevistas nas quais haja a mínima chance de ser confrontado, o presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro, aceitou participar do programa Roda Viva desta segunda-feira (31), na TV Cultura, e mostrou que está longe de ser incompetente. Ao menos para a “missão” que se propõe a cumprir. Ao longo da entrevista, ficou clara sua extrema dificuldade de se aprofundar em qualquer tipo de conteúdo. Mas o deputado-capitão deixou explícita a facilidade que tem de falar, de forma generalista, exatamente o que uma fatia do eleitorado brasileiro está ansiosa por ouvir. Bravata ou não, parece ser o que menos importa.

Mensagem cifrada dos petistas

Ato promovido por artistas em favor da libertação de Lula reúne milhares nos Arcos da Lapa, no Rio, e inspira PT a lançar novas estratégias de pressão (Foto: Ricardo Stuckert/PT)

Talvez embalados pelo bom resultado do ato público do último sábado (28), que reuniu artistas de renome em um show nos Arcos da Lapa (RJ) pela libertação do ex-presidente Lula, o PT prepara nova estratégia para pressionar pela soltura do seu líder. Aparentemente sem o temor de metralhar os próprios pés, o partido vai convocar os apoiadores do ex-presidente em todo o país para jejuarem ao longo do dia 4 de agosto, em sinal de solidariedade aos militantes petistas que farão greve de fome em frente à prisão em Curitiba, segundo eles, até que Lula seja libertado e possa disputar a eleição presidencial.

Articulações na reta final

Não são poucos os partidos que ainda correm contra o tempo para fechar alianças e definir candidatos (Reprodução/Internet)

Embora o arremedo de reforma política aprovado pelo Congresso Nacional no ano passado tenha encurtado de 90 para 45 dias o período oficial de campanha, a faixa de tempo extraoficial considerada como pré-campanha aumentou significativamente. Ainda assim, não foi suficiente para que partidos e coligações concluíssem a montagem das suas chapas. A partir de hoje e até domingo – data final para a realização de convenções que vão homologar as candidaturas – as movimentações para concluir alianças e definir nomes serão intensas, e se alguém se espantou com alguns dos acordos que assistiu até agora, se prepare para ver negociações do arco da velha.

O novo “rombo” na Petrobras

Desvio de dinheiro na Petrobras pelos corruptos pode chegar a R$ 42 bilhões. Enquanto isso, funcionários penam para receber seus direitos (Foto: Divulgação)

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu, em 21 de junho passado, que a Petrobras não poderia incluir no cálculo da base salarial da empresa alguns adicionais, como trabalho noturno, periculosidade e horas extras. A decisão, na época, renderia um desembolso extra de quase R$ 17 bilhões para que fossem ajustadas as contas com os funcionários. A petroleira entrou imediatamente com um recurso no Supremo Tribunal Federal (STF), e nesta sexta-feira (27) uma liminar expedida pelo ministro Dias Toffoli suspendeu o pagamento.