Esquivel, ontem e hoje

(Foto: Reprodução/Internet)

Jorge Zaverucha*

Adolfo Pérez Esquivel foi notável defensor dos Direitos Humanos durante a feroz ditadura militar argentina (1976-1983). Homem corajoso, enfrentou de peito aberto as atrocidades do regime autoritário. Foi encarcerado como prisioneiro político entre 1977 e 1979. Sobreviveu. Em 1980, recebeu, justamente, o Prêmio Nobel da Paz. Finda a ditadura, Esquivel adotou a agenda da esquerda latino-americana. A força da universalidade dos Direitos Humanos ficou esmaecida, pois contemplou apenas os direitos humanos de determinados grupos.

Mais uma marcha rumo à insensatez

(Foto: Reprodução/Internet)

Aconteceu o que já era previsível. O ódio político deixou o nascituro dos sofás e das redes sociais e espalhou-se pelas ruas. Os tiros disparados contra o acampamento Marisa Letícia, montado por apoiadores do ex-presidente Lula nos arredores da Polícia Federal, em Curitiba (PR), feriram manifestantes e enfiaram a nossa frágil democracia numa cama de UTI. Definitivamente, o brasileiro parou de pensar. Ou pelo menos uma parte deles parou. Parece briga de menino pequeno, aquela do “você bateu primeiro”. Só que com consequências adultas.

O italiano-bomba vem aí

Em depoimento a Moro, Palocci acendeu o pavio da bomba com acusações ao PT e aos ex-aliados Lula e Dilma (Foto: Reprodução/Youtube)

Embora procure não demonstrar, o PT tem todos os motivos para temer uma delação premiada do ex-ministro dos governos Lula e Dilma Rousseff, Antônio Palocci, o “italiano”, segundo a planilha de pagamento de propinas da Odebrecht.  Homem forte das gestões petistas, se tem alguém que sabe de muita coisa, é ele. Palocci tem na cabeça um verdadeiro arquivo de detalhes sobre os esquemas de corrupção montados durante a era PT no Palácio do Planalto que podem piorar sensivelmente a situação já delicada do ex-presidente Lula e ainda complicar a vida de Dilma, sem falar em outros ex-correligionários do delator.

Fogo amigo nos tribunais

Decisão da 2ª turma do STF gerou nova polêmica a respeito dos processos contra Lula (Nelson Jr./STF)

Uma interpretação da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) abriu novo flanco para que a defesa de Lula questione a sentença de 12 anos e um mês anunciada pelo juiz Sérgio Moro contra o ex-presidente, no caso do triplex do Guarujá. Para surpresa de alguns, três dos cinco ministros da 2ª Turma votaram favoravelmente ao envio para a Justiça de São Paulo dos depoimentos de executivos da Odebrecht, colhidos em delações premiadas, sobre os processos do sítio em Atibaia e do terreno do Instituto Lula, sob o argumento de que não há relação com as denúncias envolvendo a Petrobras, estas sim, sob responsabilidade de Moro. A decisão joga mais lenha na fogueira dos que apontam a condenação do petista como uma sentença política.

Poder, ética e sex appeal

Corrêa e Maluf, antigos líderes do Progressistas condenados por corrupção, cumprem pena em prisão domiciliar (Foto: Arquivo/O Globo)

O que torna o Progressistas um partido tão atraente aos novos filiados? Na contramão da atual tendência política, a sigla – oriunda da antiga Arena, que já se chamou PPB e PP – ampliou sua bancada na Câmara Federal de 38 deputados eleitos em 2014 para 53 agora em abril e assumiu o posto de segunda maior representação na Casa, atrás apenas do PT. E parece pouco importar que 21 dos seus parlamentares estejam sob investigação, com quatro deles já transformados em réus no Supremo Tribunal Federal (STF). Também não incomoda os novatos o fato de dois dos fundadores e outrora líderes do partido, Paulo Maluf e Pedro Corrêa, estarem cumprindo pena por corrupção. Aliás, partiu do próprio Corrêa a afirmação de que o Progressistas seria atraente por conta do seu “sex appeal” político.

Final de mandato antecipado

Plenário do Congresso Nacional durante um dos “recessos brancos” dos parlamentares (Foto: Jorge William/Arquivo)

Se depender do Congresso Nacional, o presidente Michel Temer praticamente já pode dar por encerrado o seu mandato-tampão. O emedebista recebeu mais uma dolorosa prova desse desfecho nesta segunda-feira (23), data em que caducou a Medida Provisória da reforma trabalhista. Como sempre acontece em ano eleitoral, o Legislativo já se transformou numa casa-fantasma, abandonada e vazia. Com cada deputado ou senador andando no meio do mundo, cuidando da própria candidatura, essa não será a única matéria engavetada na Casa. De agora em diante – como ficou comprovado – nenhuma proposta que demande uma análise mais detalhada terá a menor atenção dos congressistas.

Fim da linha para os “primos”?

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O que une hoje os dois partidos que se alternam no poder central há sete eleições consecutivas? O envolvimento com graves denúncias de corrupção, o processo ou prisão de seus caciques nacionais e, pior, o risco de perder o protagonismo na disputa eleitoral deste ano para candidatos ou partidos coadjuvantes em outros pleitos, como Marina Silva (Rede) e Ciro Gomes (PDT). Ainda mais grave é o fato do enfraquecimento político das duas legendas colaborar para a ampliação do espaço para aventureiros de linha conservadora e ideias nada democráticas, a exemplo de Jair Bolsonaro (PSL). Com a aproximação do pleito presidencial, o drama só aumenta no PT e no PSDB, cada vez mais enrolados numa trama que pode terminar empurrando as histórias de dois grandes partidos para o fundo das gavetas.

Barbosa, um investimento de alto risco

Joaquim Barbosa com a cúpula do PSB: dificuldades no caminho da candidatura (Foto: Humberto Pradera/PSB)

Ao investir pesado no ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, para a disputa presidencial, o PSB fez um investimento de risco. Embalados pelo bom desempenho do nome nas pesquisas de intenção de voto, os socialistas deixaram em segundo plano alguns detalhes importantes. Entre eles, o temperamento instável do ex-ministro, que pode até não ter interferido tanto na sua atuação como magistrado – embora seus humores não tenham deixado muitas saudades entre seus colegas de toga – mas, como candidato ao maior cargo eletivo do país e, principalmente, como “homem do povo”, vai pesar de maneira fundamental, tanto no contato com os eleitores, equipe e imprensa como nos momentos das tradicionais trocas de farpas entre os concorrentes.

Brecha para a impunidade

Romero Jucá com o colega Aécio Neves: líder do governo Temer tem 13 processos no STF (Foto: Arquivo)

Mais uma vez, uma brecha na legislação pode ajudar a salvar a pele de senadores e deputados federais alvos de processos no Supremo Tribunal Federal (STF), que retoma, no dia 2 de maio, o julgamento da ação que pede o fim do foro privilegiado para mandatários e autoridades. O benefício garantido aos parlamentares impede que sejam julgados em outras instâncias, até mesmo por crimes cometidos anteriormente ao mandato. É exatamente isso que o STF quer coibir, restringindo o benefício apenas para desmandos cometidos durante o atual mandato, e mais: somente os que estejam relacionados ao exercício parlamentar.

Os dois netos de Tancredo

Tancredo Neves e os netos Andréa e Aécio, em 1984: lições de boa política terminaram ignoradas (Foto: Reprodução/Facebook)

Até outubro de 2014, quando disputou a Presidência da República, o tucano Aécio Neves era citado por aliados, e até por alguns adversários, como um político articulado e de boa conversa. Qualidades que teria herdado do avô, Tancredo Neves, falecido em 1985 quando estava prestes a assumir a Presidência da República. Na época, Aécio assessorava o ex-governador mineiro, cujo papel como articulador junto aos governos militares foi fundamental para enterrar a ditadura e consolidar o processo de redemocratização.