Vacas magras

(Reprodução/Internet)

Estreia nesta terça-feira (15) uma curiosa novidade no processo eleitoral brasileiro que, lamentavelmente, tem grandes chances de fracassar. Trata-se da arrecadação de doações para campanhas de candidatos ao pleito de outubro pela internet, as chamadas “vaquinhas virtuais”. A grande interrogação do novo instrumento é como a classe política, absolutamente em baixa no conceito do eleitor por conta do furacão de denúncias de corrupção e outras “trelas”, pretende convencer as pessoas a investir nela uma fatia da sua suada renda. Sobretudo o brasileiro médio, já extorquido por uma quantidade interminável de impostos sem receber retorno satisfatório e ainda forçado a assistir parte desse dinheiro cair nos bolsos dos corruptos.

Temer a poucos passos do abismo

(Reprodução/Internet)

A segunda quinzena de maio começa com duas constatações: há um par de anos não se ouve mais no Brasil aquele entusiasmado e ensurdecedor som de panelas; e apesar da aproximação da Copa do Mundo, a perspectiva é de uma queda sensível nas vendas de camisas verde-amarelas da seleção canarinha. Agradecimentos por essa nova realidade devem ser enviados diretamente ao terceiro andar do Palácio do Planalto. É lá que senta o homem que, ao tomar posse dois anos atrás, pedia votos de confiança dos brasileiros, prometendo um país pacificado e um governo livre de corrupção.

A ditadura, os bois e a boiada

Geisel e Figueiredo, na transmissão de cargo: ordem direta para assassinatos (Foto: Arquivo)

Como se já não fosse extremamente grave a comprovação de que os ex-presidentes militares Ernesto Geisel e João Figueiredo autorizaram pessoalmente o assassinato de dezenas de militantes contrários à ditadura, enquanto publicamente negociavam a redemocratização, uma breve navegação na internet, nesta sexta-feira (11), é de deixar qualquer ser humano (no sentido absoluto da palavra)  chocado e indignado. Não é pequena a quantidade de comentários em sites noticiosos e nas redes sociais de apoio às ações do regime de exceção, e até mesmo “comemorando” a notícia –  contida em um relatório confidencial da CIA (leia aqui), revelado ao público esta semana.

Ainda o controverso foro privilegiado

Toffoli adverte que restrição do privilégio exclusivamente para os parlamentares pode gerar insegurança jurídica (Foto: Arquivo)

Voto vencido no pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Dias Toffoli lançou, nesta quarta-feira (09), uma proposta polêmica. Quer estender a restrição do foro privilegiado às demais 38 mil autoridades federais, estaduais e municipais que têm direito ao benefício no país. O STF decidiu, na semana passada, restringir o direito constitucional de serem julgados pela Corte Suprema apenas aos deputados e senadores que cometerem crime durante o mandato e em função dele. Quaisquer outras ilegalidades – seja violência doméstica, chantagem, agressão ou outros desvios de conduta já registrados contra alguns dos congressistas – serão julgadas pela justiça comum, como simples mortais.

A ribalta dos pedetistas

Candidatura de Ciro Gomes tornou-se atraente para socialistas e petistas (Foto: Roosewelt Pinheiro/Abr)

A próxima rodada de pesquisas pode ser definitiva para consolidar o palanque do ex-ministro Ciro Gomes, pré-candidato do PDT ao Palácio do Planalto. Bem colocado nas amostragens anteriores, se crescer um pouco mais na preferência do eleitorado – sobretudo no vácuo da saída de Joaquim Barbosa do páreo – Ciro pode se tornar o desaguadouro das alianças de centro-esquerda. Seu palanque ficaria ainda mais valioso caso viesse a consolidar o acordo com o PT, hoje órfão da candidatura Lula e às voltas com enormes dificuldades para acertar o passo na disputa presidencial.

PSB novamente distante do Planalto

Barbosa, na primeira reunião oficial com a direção do PSB: ainda indeciso (Foto: Humberto Pradera/PSB)

A desistência de Joaquim Barbosa de disputar a eleição presidencial frustrou dirigentes, mas não surpreendeu o PSB, ciente do alto risco do investimento político. Uma ala do partido até torcia para que o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal recuasse, deixando os socialistas sem candidatura própria e livres para firmar alianças regionais com legendas como o PSDB e o PT, para as quais a postulação de Barbosa era um obstáculo. A decisão do ex-ministro, porém, é motivo de festa para outros partidos. Ao rejeitar a empreitada, o magistrado aposentado desprezou índices de intenção de voto que outros concorrentes matariam para ter. Sobretudo aqueles que foram solenemente ultrapassados por ele nas últimas pesquisas, antes mesmo de seu nome ser confirmado na disputa.

Várias guinadas e naufrágio à vista

Sucessão de fatos negativos força o presidente a mudar de rumo a cada acontecimento (Foto: Sérgio Lima/AFP)

Enrolado num novelo sem fim de denúncias e complicações políticas, o presidente Michel Temer (MDB) continua navegando no escuro em busca de um porto que nunca chega. Pelo contrário, a cada dia que passa, o emedebista se perde mais no maremoto de denúncias, complicações políticas e perda de força junto a aliados que, num movimento de sobrevivência, procuram se distanciar do chefe para evitar a herança do desgaste político.

Omissão e revanche

Relator da PEC na CCJ, Efraim Filho admite que a Câmara não pode reclamar do que não ajudou a construir (Foto: Divulgação)

Foi preciso que o Supremo Tribunal Federal (STF) tomasse mais uma vez a iniciativa, para que deputados e senadores saíssem da tradicional inércia que marca o Congresso Nacional em anos eleitorais. Ao aprovar o fim do foro privilegiado apenas para crimes cometidos pelos parlamentares no exercício do mandato, o Judiciário acordou as feras e virou alvo de revanche. Não por coincidência, assim que o julgamento foi concluído pela Corte, na última quinta-feira (03), o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), decidiu instalar a comissão especial que analisa a Proposta de Emenda Constitucional sobre a extinção do privilégio.

A sobrevida do foro privilegiado

Pleno do STF: privilégio mantido mantido para parlamentares que cometerem crimes em nome do mandato (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

Independente das filigranas constitucionais e jurídicas analisadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ainda não foi dessa vez que o cidadão comum, cansado de esperar, assistiu à extinção total do foro privilegiado para políticos com mandato e autoridades de alto escalão. A Corte decidiu, nesta quinta-feira (03), restringir o benefício, ao aprovar proposta que ainda mantém os tribunais superiores como instâncias para processos contra deputados e senadores investigados por crimes cometidos no exercício do cargo ou em razão dele. Somente processos anteriores à eleição ou nomeação do investigado serão examinados por instâncias da justiça comum.

Otimismo versus imprudência política

É perceptível, diante das sucessivas aparições públicas e televisivas do presidente Michel Temer (MDB), como tem sido difícil convencê-lo de que a estratégia de exposição não basta para reverter sua impopularidade histórica. Dessa vez, a ideia foi aproveitar o 1º de Maio para gravar uma mensagem otimista aos trabalhadores (assista ao vídeo acima), saudando categorias com as quais não mantém boa relação e pedindo “esperança” a quem está desempregado – e desesperado – “porque o Brasil está crescendo e criando mais postos e oportunidades”. Foi um texto imprudente, para dizer o mínimo.