Barbosa, um investimento de alto risco

Joaquim Barbosa com a cúpula do PSB: dificuldades no caminho da candidatura (Foto: Humberto Pradera/PSB)

Ao investir pesado no ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, para a disputa presidencial, o PSB fez um investimento de risco. Embalados pelo bom desempenho do nome nas pesquisas de intenção de voto, os socialistas deixaram em segundo plano alguns detalhes importantes. Entre eles, o temperamento instável do ex-ministro, que pode até não ter interferido tanto na sua atuação como magistrado – embora seus humores não tenham deixado muitas saudades entre seus colegas de toga – mas, como candidato ao maior cargo eletivo do país e, principalmente, como “homem do povo”, vai pesar de maneira fundamental, tanto no contato com os eleitores, equipe e imprensa como nos momentos das tradicionais trocas de farpas entre os concorrentes.

Outro ponto importante que deveria ter sido levado mais em conta pelos articuladores da candidatura de Joaquim Barbosa no PSB era a questão pessoal. A afirmativa do ex-ministro nesta quarta-feira (19), após a reunião com a executiva nacional socialista, deixou claro o tanto de hesitação que ainda precisa ser vencida. “Eu ainda não convenci a mim mesmo”, admitiu Barbosa, com toda franqueza, aos jornalistas. Também mencionou a força contrária à candidatura presidencial que emana da sua família. Algo que nem mesmo políticos profissionais costumam tirar de letra.

A justificativa da falta de unidade regional no PSB em torno da candidatura própria é, entre todas, a mais “política”. Mas também a menos surpreendente. Se por um lado os índices favoráveis obtidos por Joaquim Barbosa na mais recente pesquisa ajudaram a convencer uma parte dos socialistas ainda hesitante quanto à estratégia ou ao nome escolhido, por outro esses números têm sido vistos como um tiro no escuro. E de quebra, a demora em consolidar – ou não – a candidatura própria vai retardando e deixando em banho-maria a construção de alianças nos Estados.

Os 8 a 10% de preferência obtidos por Barbosa na última pesquisa devem-se ao recall, preservado na memória de parte do eleitorado que assistiu, na TV, o ex-ministro conduzir com mão de ferro os julgamentos do Mensalão no STF. Mas nenhum dos mais de quatro mil entrevistados pelo Datafolha na pesquisa tem qualquer noção de como seria o desempenho de Barbosa em um cargo eletivo, imagine então como estreante logo no principal deles, a Presidência da República.

É, de fato, um investimento de risco e a longo prazo: quatro anos, no qual o PSB poderá sair no lucro, mas se falhar, estará sacramentando um prejuízo gigantesco à imagem do partido, que desde o acidente que vitimou o ex-governador Eduardo Campos – então presidenciável socialista – vem tentando refazer seu capital político.