A ribalta dos pedetistas

Candidatura de Ciro Gomes tornou-se atraente para socialistas e petistas (Foto: Roosewelt Pinheiro/Abr)

A próxima rodada de pesquisas pode ser definitiva para consolidar o palanque do ex-ministro Ciro Gomes, pré-candidato do PDT ao Palácio do Planalto. Bem colocado nas amostragens anteriores, se crescer um pouco mais na preferência do eleitorado – sobretudo no vácuo da saída de Joaquim Barbosa do páreo – Ciro pode se tornar o desaguadouro das alianças de centro-esquerda. Seu palanque ficaria ainda mais valioso caso viesse a consolidar o acordo com o PT, hoje órfão da candidatura Lula e às voltas com enormes dificuldades para acertar o passo na disputa presidencial.

O pedetista já acenou positivamente, inclusive com a possibilidade de ceder aos petistas a vice na sua chapa. O principal obstáculo para essa aliança, porém, é chamado por especialistas de “síndrome do protagonismo político”. Um mal que acomete o PT, acostumado desde a disputa presidencial de 1989 a ocupar a cabeça de chapa. Convencê-lo a aceitar um papel secundário, ainda que uma vice-presidência mantenha o partido em alguma evidência no cenário político, será um trabalho hercúleo.

A sonhada aliança com o PT abriria um largo corredor em direção ao palanque pedetista, por onde poderiam caminhar o PSB, o PCdoB e outras legendas menores. Logo após a desistência de Joaquim Barbosa, a direção nacional socialista passou a se empenhar não em encontrar um nome substituto, mas para evitar uma debandada definitiva de setores do partido rumo aos palanques de centro-direita, a exemplo do PSDB – como querem os socialistas de São Paulo – do PPS, MDB e até mesmo do DEM em alguns locais.

Essa dispersão jogaria por terra todo um trabalho iniciado por Eduardo Campos para unificar a legenda e dar-lhe uma feição de esquerda moderna, e que resultou no lançamento da sua candidatura presidencial em 2014. A tarefa teve continuidade, mesmo após a morte do ex-governador, sob a presidência de Carlos Siqueira. Nesse processo, o PSB, inclusive, tratou de expurgar elementos incômodos que buscavam levar o partido para a base do governo Michel Temer, onde predominam as siglas de centro-direita.

Pegos de calças curtas com o recuo do seu sonhado pré-candidato, os socialistas ficam agora a um passo de abrir negociações com o PDT. O diálogo, porém, ainda levará algum tempo para acontecer, ao menos publicamente. Na próxima semana, Siqueira comandará uma reunião do diretório nacional para analisar os impactos da candidatura que não houve. Só depois de cumpridas as “exigências formais”, o partido deve deflagrar a discussão de alianças.

A partir daí, o problema envolverá novamente os dois maiores diretórios estaduais do PSB, Pernambuco e São Paulo. O primeiro, comandado pelo governador Paulo Câmara, sonha dia e noite em firmar aliança local com os petistas. Já o segundo, liderado pelo governador Márcio França, após a saída de Barbosa está praticamente fechado com a candidatura do tucano Geraldo Alckmin e o PSDB paulista.

Essa medição de forças é a grande dificuldade a ser contornada, caso o PSB queira, de fato, fechar questão em torno de um único palanque presidencial. Daí alguns socialistas já admitirem que a solução mais prática seria liberar o partido para negociar alianças estaduais e, nacionalmente, permanecer neutro na disputa, ao menos no primeiro turno. A estratégia, porém, se posta em prática, iria de encontro a todo o projeto idealizado há mais de meia década por Eduardo Campos, e exporia novamente a enorme dificuldade vivida pela legenda com a ausência de uma liderança forte.