Haddad, o quase Lula

Fenômeno da transferência de votos de Lula para Haddad se confirma em Pernambuco, deixando o candidato petista isolado na liderança (Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação)

Ao menos em Pernambuco, o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais parece praticamente definido. A primeira pesquisa realizada pelo Ibope após a oficialização de Fernando Haddad – o “Andrade” – no lugar do ex-presidente Lula, divulgada nesta segunda-feira (17), indica uma ascensão meteórica do candidato petista no Estado natal do seu padrinho político. O ex-ministro da Educação galgou nada menos que 16 pontos percentuais desde o último levantamento, em 5 de setembro, quando tinha 10% das preferências. Agora, com 26%, Haddad abriu uma vantagem de quase dez pontos sobre o presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro, que aparece agora com 17%.

A voz da maioria silenciosa

(Reprodução/Internet)

A campanha eleitoral deste ano, mais curta por imposição dos próprios políticos, tem passado voando. O curioso é que, faltando apenas três semanas para as urnas do primeiro turno, ainda há pelo menos 68 milhões de eleitores – segundo estimativas calculadas pelo jornal Correio Braziliense em cima dos números das pesquisas de intenção de voto – que ainda não escolheram entre os 13 candidatos à Presidência da República. A apatia, a desinformação e, claro, o encurtamento dos prazos, fizeram com que muita gente sequer entrasse na roda viva da campanha. Um punhado dessas pessoas não sabe sequer quem está concorrendo a qual cargo.

Estupidez em rede

(Reprodução/Internet)

O final de semana foi marcado pelo recrudescimento da polarização política. Nada demais, faltando apenas três semanas para a eleição, não fosse o fato de um dos lados ter usado de jogo sujo, deslealdade, misoginia e, ainda pior, ter cometido crime. Defensores da candidatura presidencial de Jair Bolsonaro (PSL) parecem ter perdido de vez qualquer resquício de pudor. Talvez pegos de surpresa pela velocidade com que se formaram alguns grupos nas redes sociais reunindo não milhares, mas milhões de internautas contrários à candidatura do deputado-capitão, tenha batido um sentimento de desespero ou impotência. O fato é que terminaram servindo aperitivos indigestos de autoritarismo, indicando o tempero do prato principal proposto pelo palanque extremista.

Desigualdade e vergonha

De acordo com a pesquisa do Pnud, as brasileiras têm uma renda média per capita 42,7% menor que a dos homens (Foto: Reprodução/Internet)

Elas são maioria em número de habitantes e de eleitores, estão sempre mais dispostas à luta que os homens e sempre bem focadas nos seus objetivos. Ainda assim, as mulheres continuam numa desvantagem tremenda quando se trata de representatividade política. É alarmante ver um país continental como o Brasil ser superado por todos os vizinhos da América do Sul e quase todos da América Latina, em termos de participação feminina. Os dados do Índice de Desenvolvimento de Gênero (IDG) foram divulgados nesta sexta-feira (14), incluídos na nova rodada mundial da pesquisa de IDH realizada anualmente pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Proposta nada notável

Na ausência de Bolsonaro, o vice Mourão manteve a polêmica da campanha, sugerindo uma nova Constituição sem a participação popular (Foto: Divulgação)

Para além da eleição propriamente dita, parece estar havendo uma disputa interna entre o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) e o seu vice, general Hamilton Mourão (PRTB), para conquistar a mão do autoritarismo. Não bastassem as teses polêmicas do titular da chapa – agora às voltas com um forte movimento feminino de oposição à sua candidatura – o vice aproveitou sua hospitalização, após a facada, para salgar de vez a mistura antidemocrática. Nesta quinta-feira (13), em palestra a empresários paranaenses, Mourão voltou a mostrar suas já conhecidas garras. Sem maiores pudores, propôs a redação de uma nova Constituição Federal que, na sua opinião, não careceria da digital do povo.

Fogo quase amigo

Dando sinais de preocupação, adversários procuram comparar Fernando Haddad a Dilma: candidatos por “procuração” de Lula (Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação)

Os números divulgados pelas mais recentes pesquisas de intenção de voto detonaram o clima de aparente trégua entre os principais candidatos à Presidência da República, até então unidos na preocupação de combater a liderança de Jair Bolsonaro (PSL). A oficialização de Fernando Haddad como candidato do PT em substituição a Lula, e a sua ascensão meteórica em todos os levantamentos, provocaram uma guinada nos discursos dos concorrentes, que passaram a mirar sua artilharia mais pesada no avatar do ex-presidente.

Menos fake, mais news

Pesquisa revela que o eleitor ainda busca os noticiários de TV como fonte de informação, em detrimento das redes sociais (Foto: Reprodução/Internet)

Apesar da crescente ameaça de desconstrução da informação, imposta pelas fake news, o eleitor brasileiro, felizmente, ainda deposita suas fichas no jornalismo como principal fonte de informação sobre os candidatos à Presidência da República. É o que revela uma pesquisa do Instituto Datafolha realizada em paralelo ao levantamento sobre a sucessão presidencial. Os números mostram que pelo menos 35% dos brasileiros ainda apostam no conteúdo dos telejornais para obter notícias sobre os candidatos. O índice é um bálsamo para a real media nestes tempos de ameaça global das falsas notícias.

Afunilados e embolados

Nova rodada do Datafolha mostra Fernando Haddad encostado no primeiro pelotão da corrida presidencial (Reprodução/Internet)

Na véspera de ser oficializado pelo PT como candidato à Presidência da República, em substituição ao ex-presidente Lula, o ex-ministro Fernando Haddad teve seu nome confirmado pela nova rodada da pesquisa Datafolha como competitivo. Os números divulgados na noite desta segunda-feira (11) trazem ainda duas outras constatações importantes nos rumos da disputa presidencial. Primeiramente, indicam um crescimento do líder Jair Bolsonaro (PSL) aquém do que imaginavam seus aliados, mesmo após a exploração política do atentado à faca do qual foi vítima na semana passada, que parece não ter ainda rendido resultados. O deputado-capitão escalou apenas dois pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, de 21 de agosto, uma oscilação que fica dentro da margem de erro.

Facada com prazo de validade

Imagem de camisa manchada com sangue cenográfico, semelhante à usada por Bolsonaro no momento do atentado, circula nas redes sociais de aliados (Foto: Reprodução/Instagram)

Embora a convalescência hospitalar impeça Jair Bolsonaro de marcar presença física no restante da campanha do primeiro turno, tanto nas redes sociais como nos seus minúsculos programas de TV e rádio, bem como nas manifestações de rua – daqui por diante lideradas por aliados, inclusive seus filhos – nada deve mudar. A facada tomada pelo candidato do PSL na quinta-feira (06) de forma alguma serviu para atenuar o discurso belicista, acirrado e taliônico que tem marcado sua participação na disputa.

Surfando na confusão

Fracassou a tentativa da defesa de Lula de estender o prazo para substituí-lo por Fernando Haddad na disputa presidencial (Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação)

A incansável defesa de Lula voltou a carga no fim de semana, dentro da tática de guerrilha jurídica que vem travando pela participação do ex-presidente na disputa. No sábado (08), entrou com nova ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo mais tempo para que o PT providencie a substituição do candidato, sob o argumento de que o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não julgou os últimos recursos movidos por Lula para tentar se viabilizar. Entretanto, se estavam contando com mais esse adiamento para continuar reforçando a propaganda do ex-presidente no guia eleitoral de TV e rádio, os advogados do petista podem ir guardando os cavalinhos no estábulo.