Batalha das togas sob investigação

Favreto, um ex-filiado do PT, mandou soltar Lula. Moro, algoz do ex-presidente, questionou decisão e criticou seu superior (Foto: Montagem/Internet)

Por mais que isso contrarie sua finalidade, o Judiciário continua sob os holofotes. E nem sempre como mocinho da trama. Os três magistrados envolvidos no confuso – e nada estratégico – processo que visava a libertação do ex-presidente Lula terão que contar suas versões do episódio ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Os desembargadores Rogério Favreto, João Pedro Gebran Neto e o juiz federal Sérgio Moro foram intimados para, num prazo de 15 dias a partir de 1º de agosto, quando termina o período de recesso da justiça, a prestar esclarecimentos sobre as decisões conflitantes que tomaram no caso.

O peso de ouro do Centrão

Sob o comando do então deputado Eduardo Cunha, o Centrão foi decisivo no processo de impeachment (Foto: Arquivo/GP)

Com o período das convenções já batendo à porta, pelo menos três pré-candidatos ao Palácio do Planalto pisam no acelerador em busca de reforços para os seus palanques. Nessa véspera de campanha, alianças têm sido um calo para quase todos os postulantes. Que o digam Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Henrique Meirelles (MDB). Com as novas regras eleitorais, tempo de propaganda na TV e verbas do fundo eleitoral são medidas a peso de ouro, e tornam palatável qualquer partido que não esteja disposto a lançar candidatura própria. Entre eles, destacam-se quatro siglas – DEM, PP, PR e SD.

O fator Mandela

Nelson Mandela, que hoje completaria 100 anos, e seu exemplo: da luta armada à pacificação dos extremos na África do Sul (Foto: Themba Hadebe/AP)

No dia 18 de julho de 1918, a exatos cem anos anos, nascia Nelson Rolihlahla Mandela, o negro que se tornaria um dos maiores pacifistas a caminhar sobre a Terra. Por conta da sua forte militância contra o apartheid que fazia sangrar a África do Sul – por vezes agindo na luta armada – Mandela recebeu a sentença de prisão perpétua, e passou 27 anos de vida encarcerado. A iniciativa passou longe de estancar suas ações em favor da paz política. Em fevereiro de 1990, ao ser libertado por indulto, o líder maior da África do Sul havia progredido no trabalho de unificação, mas ainda enfrentava fortes protestos da extrema direita branca nas ruas do país. Quase três décadas de prisão não haviam sido suficientes para os opositores, que pediam seu enforcamento sumário.

Privilégio universal

Bispo licenciado, Crivella foi criticado por usar a prefeitura como extensão da sua igreja (Foto: Arquivo/CC)

Violação do princípio do Estado laico – previsto na Constituição Federal – além dos princípios da imparcialidade, isonomia, tratamento igualitário, moralidade e legitimidade administrativas e dano ao erário. São “somente” estas as acusações que constam na ação civil movida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) contra o prefeito Marcelo Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus. Um recorde obtido em menos de dois anos de gestão na cidade que um dia foi maravilhosa, hoje principal centro da violência no país.

Cem dias de solidão

Forçado a trocar discursos públicos por bilhetinhos, insistência de Lula em comandar processo eleitoral da cadeia imobiliza o PT (Foto: AE)

Na noite desta segunda-feira (16), o ex-presidente Lula (PT) completou oficialmente os primeiros 100 dias de pena, do total de 12 anos e um mês a que foi sentenciado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Curioso é que, ao longo desse tempo, pelo menos três grandes pesquisas de intenção de voto no país seguiram apontando sua liderança absoluta na disputa presidencial deste ano. Se a prisão foi justa ou não, se foi política ou legal, o fato é que ainda não conseguiu detonar a imagem positiva do ex-presidente junto a alguns segmentos da sociedade. Sobretudo os menos favorecidos – privilegiados por ele nos seus dois governos – particularmente no Nordeste, onde o líder petista reina praticamente absoluto, com um precioso recall disputado a foice por vários candidatos.

Dinheiro pouco é bobagem

Teto salarial constitucional pode subir de R$ 33,7 mil para R$ 38 mil em 2019 (Reprodução/Internet)

Acabou a Copa do Mundo e, definitivamente, as coisas no Brasil aos poucos vão voltando à rotina. Inclusive no Congresso Nacional. A novidade por lá, agora, é uma articulação para aumentar os salários dos deputados e senadores a partir da próxima legislatura, que começa em janeiro de 2019. Segundo notícia publicada na Coluna do Estadão, a proposta – bem ao estilo “apagar das luzes” – envolve também ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) amotinados contra a decisão da atual presidente da Corte, Cármen Lúcia, de não reajustar os vencimentos dos magistrados para o próximo ano.

Abstenção feminina nas urnas

Maioria no eleitorado brasileiro, mulheres são mais exigentes na escolha do candidato (Foto: Reprodução/Internet)

Levantamento realizado pelo Ibope indica que em cada grupo de 10 eleitores dispostos a se abster de votar nas eleições presidenciais deste ano, seis são mulheres. Os principais motivos apresentados por elas para votar nulo, em branco ou simplesmente não comparecer às urnas são a desilusão com os sucessivos escândalos de corrupção no país e uma profunda preocupação com o rumo da economia, com a inflação e o desemprego.

Socialistas em rumo de colisão

No Palácio, Paulo Câmara garantiu a Gleisi Hoffmann apoio a Lula, com ou sem o PSB (Foto: Hélia Scheppa/SEI)

Quem acredita que as últimas conversas entre dirigentes do PT e do PSB sobre uma possível aliança não resultaram em nada, basta ler as entrelinhas para tirar suas conclusões. A principal delas não é nova, remete às eleições de 2014, e reforça a tese de que o desaparecimento do ex-governador Eduardo Campos deixou o PSB completamente órfão de uma liderança que realmente agregue o partido. Prova disso é o tamanho do problema interno a ser levado à convenção nacional que se avizinha. Donos do maior contingente no diretório estadual, os socialistas de Pernambuco estão praticamente isolados na defesa da aliança com o PT, mas dispostos ao confronto com outros diretórios de peso, como São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal, favoráveis ao apoio ao presidenciável do PDT, Ciro Gomes.

Nem atípico, nem inesperado

Atitude de Favreto pode ser eticamente questionável, mas já não se configura em algo inédito (Foto: Divulgação/TRF-4)

Ao pedir a abertura de inquérito contra o desembargador do Tribunal Regional da 4ª Região (TRF-4) Rogério Favreto, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), por crime de prevaricação, a procuradora-geral da República Raquel Dodge classificou o episódio em que o magistrado mandou soltar o ex-presidente Lula (PT) como “atípico e inesperado”. Ora, levando em conta o recente comportamento de representantes do Poder, nas suas mais diversas instâncias, a iniciativa de Favreto – embora tenha deflagrado uma batalha interna no Judiciário, no último domingo (08) – poderia ser criticada por vários motivos, menos como algo atípico e inesperado num Judiciário que tem se sobressaído na mídia muito mais pela sua politização que pelas decisões estritamente legais.

Favas contadas

Carlos Siqueira (d) com Gleisi Hoffmann, na sede do PSB: preferência majoritária dos socialistas no país é por aliança com Ciro Gomes (Foto: Divulgação)

A semana começou com o PT voltando à evidência, a partir da fracassada investida que tentou novamente libertar o ex-presidente Lula, e deve terminar com o partido ainda sob os holofotes, mas por uma razão inversa. A ameaça cada vez mais forte de dispersão de aliados – que ronda o palanque petista na disputa presidencial – chegou ao limite do intolerável. Ao ponto de dirigentes partidários abandonarem a cautela e envidarem ações que expõem claramente o temor diante do avanço da pré-candidatura de Ciro Gomes (PDT) sobre o terreno até então considerado preferencial pelo PT. Esse campo envolve algumas legendas menores, como o PCdoB e o PROS, mas o grande prêmio seria o PSB.