Mais combustível na impopularidade

Caminhões parados, descontrole de preços dos combustíveis e briga interna no governo (Foto: Pablo Jacob/O Globo)

O clima é de confronto dentro do combalido governo Michel Temer (MDB). Está impossível conciliar os interesses do núcleo político e da área econômica em torno da polêmica causada pelos sucessivos reajustes nos preços do combustível. Esta semana, no momento em que era deflagrada a greve dos caminhoneiros, começava também uma queda de braço dos ministros Moreira Franco (Minas e Energia) e Eliseu Padilha (Casa Civil) contra Eduardo Guardia (Fazenda) e Pedro Parente (Petrobras).

A utopia do combate à corrupção

Eduardo Cunha e aliados recebem, em 2016, as milhares de assinaturas em favor do primeiro pacote anticorrupção, que terminou destroçado (Foto: Arquivo/CD)

O mês de junho, que começa em poucos dias, vem com a expectativa do lançamento de mais um pacote de medidas de combate à corrupção. Embora elaborado conjuntamente por duas instituições respeitadíssimas – a ONG Transparência Internacional e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) – o documento, mais uma vez, tem tudo para morrer nas gavetas do Congresso Nacional. Nasce fadado a um destino semelhante ao do seu predecessor, o “Dez medidas contra a corrupção”, idealizado pelo Ministério Público e respaldado por cerca de dois milhões de assinaturas de brasileiros ansiosos pela moralização da política no país, que naufragou no mar de lama do corporativismo.

Centro, centrinho, Centrão

FHC defende união dos partidos de centro, mas não explica como excluirá o Centrão (Foto: Pedro Kirilos/O Globo)

Ao fazer a defesa da unidade dos partidos de centro para o lançamento de uma candidatura única, com reais chances de vitória, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) fez uma distinção que está longe da realidade. O tucano alertou que o “centro” ao qual se refere são legendas de cunho “democrático e reformista”, que nada têm a ver com o famigerado Centrão – formado na Câmara dos Deputados para defender interesses específicos e, por vezes, nada republicanos. Esse grupo, que tem forte atuação em conjunto, por contar com a maioria dos parlamentares do baixo clero, foi comandado, entre outras figuras, pelo ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atualmente cumprindo pena por suas infinitas “trelas” com o dinheiro alheio.

A roupa velha do presidente

(Reprodução/Internet)

A cerimônia que marcou os dois anos de governo Michel Temer (MDB), nesta terça-feira(15), certamente é um acontecimento para não ser esquecido. Espectadores com um mínimo de equilíbrio emocional e político devem ter saído do evento palaciano com uma de duas impressões: foi puro delírio ou um show de sofismas. A começar pelo fato de o presidente ter convidado os aliados para “comemorar” seu biênio como substituto da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), cujo mandato ele próprio colaborou para subtrair. No discurso, ponto alto da festa, Temer ignorou mais uma vez o cenário negativo, tanto social como econômico e político, vivido pelos brasileiros.

É a percepção, estúpido!

Pesquisa avalia percepção do brasileiro sobre eventos recentes, como a condenação de Lula (Foto: Reprodução)

Juliano Domingues*

A política nacional está imersa em um ambiente de profunda imprevisibilidade. Qualquer tentativa analítica que se proponha a reduzir o grau de incerteza passa, necessariamente, pela variável “percepção”. Quando investigada adequadamente, chega-se próximo da “realidade” a partir da qual é possível inferir como o eleitor se comportará nas urnas. Dados da pesquisa “A cara da democracia”, divulgados semana passada pelo jornal Valor, oferecem informações importantes para análises que pretendem seguir esse caminho. O estudo foi realizado pelo Instituto da Democracia e da Democratização da Comunicação, instituição que integra o Programa de Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) e é formada por grupos de pesquisa de quatro universidades (UFMG, IESP/UERJ, Unicamp e UnB).

Vacas magras

(Reprodução/Internet)

Estreia nesta terça-feira (15) uma curiosa novidade no processo eleitoral brasileiro que, lamentavelmente, tem grandes chances de fracassar. Trata-se da arrecadação de doações para campanhas de candidatos ao pleito de outubro pela internet, as chamadas “vaquinhas virtuais”. A grande interrogação do novo instrumento é como a classe política, absolutamente em baixa no conceito do eleitor por conta do furacão de denúncias de corrupção e outras “trelas”, pretende convencer as pessoas a investir nela uma fatia da sua suada renda. Sobretudo o brasileiro médio, já extorquido por uma quantidade interminável de impostos sem receber retorno satisfatório e ainda forçado a assistir parte desse dinheiro cair nos bolsos dos corruptos.

Temer a poucos passos do abismo

(Reprodução/Internet)

A segunda quinzena de maio começa com duas constatações: há um par de anos não se ouve mais no Brasil aquele entusiasmado e ensurdecedor som de panelas; e apesar da aproximação da Copa do Mundo, a perspectiva é de uma queda sensível nas vendas de camisas verde-amarelas da seleção canarinha. Agradecimentos por essa nova realidade devem ser enviados diretamente ao terceiro andar do Palácio do Planalto. É lá que senta o homem que, ao tomar posse dois anos atrás, pedia votos de confiança dos brasileiros, prometendo um país pacificado e um governo livre de corrupção.

A ditadura, os bois e a boiada

Geisel e Figueiredo, na transmissão de cargo: ordem direta para assassinatos (Foto: Arquivo)

Como se já não fosse extremamente grave a comprovação de que os ex-presidentes militares Ernesto Geisel e João Figueiredo autorizaram pessoalmente o assassinato de dezenas de militantes contrários à ditadura, enquanto publicamente negociavam a redemocratização, uma breve navegação na internet, nesta sexta-feira (11), é de deixar qualquer ser humano (no sentido absoluto da palavra)  chocado e indignado. Não é pequena a quantidade de comentários em sites noticiosos e nas redes sociais de apoio às ações do regime de exceção, e até mesmo “comemorando” a notícia –  contida em um relatório confidencial da CIA (leia aqui), revelado ao público esta semana.

Ainda o controverso foro privilegiado

Toffoli adverte que restrição do privilégio exclusivamente para os parlamentares pode gerar insegurança jurídica (Foto: Arquivo)

Voto vencido no pleno do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Dias Toffoli lançou, nesta quarta-feira (09), uma proposta polêmica. Quer estender a restrição do foro privilegiado às demais 38 mil autoridades federais, estaduais e municipais que têm direito ao benefício no país. O STF decidiu, na semana passada, restringir o direito constitucional de serem julgados pela Corte Suprema apenas aos deputados e senadores que cometerem crime durante o mandato e em função dele. Quaisquer outras ilegalidades – seja violência doméstica, chantagem, agressão ou outros desvios de conduta já registrados contra alguns dos congressistas – serão julgadas pela justiça comum, como simples mortais.

A ribalta dos pedetistas

Candidatura de Ciro Gomes tornou-se atraente para socialistas e petistas (Foto: Roosewelt Pinheiro/Abr)

A próxima rodada de pesquisas pode ser definitiva para consolidar o palanque do ex-ministro Ciro Gomes, pré-candidato do PDT ao Palácio do Planalto. Bem colocado nas amostragens anteriores, se crescer um pouco mais na preferência do eleitorado – sobretudo no vácuo da saída de Joaquim Barbosa do páreo – Ciro pode se tornar o desaguadouro das alianças de centro-esquerda. Seu palanque ficaria ainda mais valioso caso viesse a consolidar o acordo com o PT, hoje órfão da candidatura Lula e às voltas com enormes dificuldades para acertar o passo na disputa presidencial.