Decisão coercitiva

Por 6 votos a 5 STF proíbe a condução coercitiva de investigados: prejuízo para a Lava Jato (Foto: Arquivo/STF)

No país das contradições e arranjos, os poderes constituídos continuam revelando um desequilíbrio de meter medo. A bola da vez é a polêmica decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de considerar inconstitucional a condução coercitiva. Dispositivo inserido no Código de Processo Penal brasileiro desde 1941, ela serviu bem à sua finalidade enquanto ajudava a obter depoimentos de arraias miúdas, envolvidas em algum tipo de investigação. Curiosamente, foram necessários quase 80 anos e uma intensa onda de denúncias e prisões de poderosos – deflagrada pela Operação Lava Jato e suas similares – para que o STF concluísse pela sua ilegalidade, sob o argumento de que o acusado não deve produzir provas contra si mesmo.

Uma pausa para o ópio

Mesmo com o favoritismo da seleção, sequência de crises abafa o clima de Copa do Mundo no Brasil (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

Começou a Copa de 2018, mas no país do futebol, os sete gols marcados pela seleção alemã há quatro anos ainda não cicatrizaram de todo. E o resultado humilhante de 2014 não ficou limitado às quatro linhas do Mineirão. Desde a tão comentada “copa das copas” o Brasil não conseguiu mais se por em pé. Nosso futebol até que melhorou, é bem verdade, e chega à Rússia entre os favoritos. Ao contrário da situação geral do país, que continua sofrendo goleadas diárias de uma maneira tal que nem mesmo todo o “ópio” gerado pelo mundial – um dos eventos mais aguardados a cada quatro anos – já não basta para aliviar as dores do brasileiro.

Excesso de gordura

Conversas entre Ciro Gomes e representantes de partidos do Centrão deixam eventuais aliados de orelha em pé (Daniel Marenco/O Globo)

Embora não seja de todo inesperado, o canal de diálogo estabelecido pelo presidenciável do PDT, Ciro Gomes, com partidos integrantes do Centrão – a exemplo do DEM e do PP – provocou rebuliço na ala de centro-esquerda, que há muito vem mantendo o pedetista no horizonte de uma aliança. Na maior tranquilidade, porém, Ciro avisou que, na condição de pré-candidato, conversará com todos que o procurarem. Trata-se de uma regra básica da política, de que apoio não se rejeita, venha de onde vier. Dentro dessa regra, ele terá um encontro esta semana com o ainda presidenciável do DEM, Rodrigo Maia, que já sinalizou com a hipótese de desistir da postulação em nome de uma aliança que valorize seu partido.

O nó dos palanques nacionais

Após anunciar Mendonça como candidato ao Senado, Armando agora terá que montar o restante da chapa de olho no cenário nacional (Foto: Arquivo)

Ao anunciar metade da sua chapa majoritária nesta segunda-feira (11), o senador Armando Monteiro (PTB) não tratou de um tema que lhe será bastante caro ao longo da campanha: a disputa presidencial. A pluralidade de representantes de palanques nacionais dentro da sua chapa, aliada à estratégia dos adversários da Frente Popular de colar nele a imagem desgastada do presidente Michel Temer (MDB) – proprietário de estratosféricos 82% de impopularidade – será um complicador a mais. Afinal, Armando carrega consigo nada menos que três ex-ministros do atual governo, e um deles, Mendonça Filho (DEM), já foi oficializado como pré-candidato ao Senado.

Sobre candidatos e hologramas

Cercado por militantes, Lula deixa sede do Sindicato dos Metalúrgicos no ABC para se entregar à Justiça (Foto: Reuters)

Um dia após completar dois meses na prisão, Lula terá sua candidatura lançada nesta sexta-feira (08), em Belo Horizonte. O local foi escolhido como uma demonstração de força, já que Minas Gerais é o maior Estado governado por um petista, Fernando Pimentel. Apesar de parecer um delírio coletivo – uma vez que o ex-presidente permanece atrás das grades, sem previsão de ser libertado e com todos os recursos judiciais praticamente esgotados – a festa faz parte da estratégia do PT de sustentar publicamente não haver Plano B do partido na disputa e, assim, tentar manter cativo o eleitor que tem garantido a Lula liderança absoluta nas sucessivas pesquisas.

Mais uma novela mexicana

Seja ficção policial ou ópera sabão, enredo fica cada vez mais complicado para Temer (Foto: Reprodução/Internet)

A chiadeira do Palácio do Planalto diante das novas investidas contra o presidente Michel Temer (MDB) por parte dos investigadores da Polícia Federal, no já conhecido caso do Decreto dos Portos, foi curiosa e insólita. Pela primeira vez o emedebista reagiu diretamente, classificando a investigação como mais uma “obra de ficção, digna do Projac” – ali, onde ficam os estúdios da TV Globo do Rio de Janeiro. O roteiro da historinha, porém, tem muito mais jeito de telenovela mexicana. Daquelas com enredo melodramático e interminável.

De olhos bem fechados

Além de causas sociais e econômicas, a violência no Brasil tem motivações políticas, que envolvem todo o tecido social (Foto: Reprodução/Internet)

Em 2016 foram cometidos no Brasil 62.517 assassinatos. Uma média de 153 crimes por dia. São 6,3 pessoas mortas por hora. Os dolorosos números estão no Atlas da Violência 2018, divulgado nesta terça-feira (05) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Além de colocarem o país em um patamar trinta vezes mais elevado que a Europa, os novos dados expõem uma situação infinitamente mais vergonhosa: enquanto o mundo age e clama por menos violência, a quantidade de assassinatos por aqui continua crescendo. O problema, é claro, tem viés econômico e social, e assim deve ser tratado. Mas, acima de tudo, é uma questão política, e coloca o conjunto da sociedade no banco dos réus.

Recados de um equilibrista político

FHC prega unidade dos “setores progressistas”, mas evita citar nomes ou explicitar preferências (Foto: Pedro Kirilos/O Globo)

Especialista no lendário estilo tucano de equilibrar-se sobre qualquer muro – por mais estreito que seja ele – o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ataca novamente. Aliás, atacar não é a expressão adequada. Faz mais um dos seus alertas políticos, mas sempre mantendo a tradição de evitar nomes ou críticas pessoais, procurando não se indispor com ninguém, uma prática que aplicou nas suas duas gestões. Em artigo com o apropriado título “Decifra-me ou devoro-te”, publicado neste final de semana nos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo, FHC toma como matéria-prima a recente greve dos caminhoneiros e a perda de confiança do povo nas instituições para sair em defesa da unidade dos “setores progressistas” em favor da reconstrução do país. Mas frustra quem chega até o final da leitura buscando uma posição concreta.

Atropelado por um caminhão

Interferência política na Petrobras para debelar a greve foi a gota d´água para Pedro Parente (Foto: Sergio Moraes/Reuters)

A paralisação dos caminhoneiros foi demais para Pedro Parente. Colocado sob pressão absoluta nas duas últimas semanas, o presidente da Petrobras chegou ao seu limite e pediu demissão nesta sexta-feira (01) pela manhã. A saída não chegou a ser tão surpreendente quanto à do ex-técnico do Real Madrid Zinedine Zidane, anunciada ontem, mas é curioso comparar as duas “baixas”. Enquanto o ex-campeão mundial francês levava o time espanhol a inúmeros êxitos, Parente exercia a difícil missão de recuperar a imagem da Petrobras, afogada em denúncias de corrupção ao longo dos últimos anos.

Quem quer pagar a conta?

Pessoas nas ruas, em apoio à greve: arrocho no bolso para bancar acordo do governo (Foto: Diego Vara/Reprodução)

Um dos fundamentos essenciais de greves ou protestos de rua é atrair a atenção para uma causa. Quando se trata de um pleito justo, o brasileiro médio compreende, e até apoia, mas o espírito de solidariedade só vai até aí. Uma vez incomodado na sua rotina, volta a vigorar a lei do cada um por si. A recente pesquisa feita pelo Instituto Datafolha a respeito da greve dos caminhoneiros, que parou o país por mais de uma semana, comprovou a tese. Questionados sobre a validade da mobilização, 87% dos entrevistados hipotecou total apoio à categoria, contra apenas 10% que a condenaram. Entretanto, quando se trata de pagar a conta do acordo fechado pelo Palácio do Planalto com os grevistas, a situação se inverte completamente.