Briga esquenta, mas nada de propostas

Debate na RedeTV! foi mais acalorado, mas ainda deixou muito a desejar em termos de propostas concretas (Foto: Divulgação)

O eleitor que desistiu da balada de sexta-feira à noite para assistir ao segundo debate entre os presidenciáveis na RedeTV! foi brindado com um clima um pouco mais acalorado que o do confronto anterior, na Band. Ainda assim, a maioria dos concorrentes, como era previsível, deixou a desejar no campo propositivo. Merecem destaque alguns confrontos diretos,  como o momento em que Marina Silva (Rede) encurralou Jair Bolsonaro (PSL) na discussão sobre o desequilíbrio entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Acuado, o ex-capitão abandonou a nova postura “media training” e retomou sua face mais conhecida, partindo para a ofensa pessoal, mas não conseguiu intimidar a franzina adversária na arena demarcada no centro do palco. Sem a participação de Lula, Bolsonaro e Marina dividem a liderança das pesquisas de intenção de voto.

Quem tem medo de sanção moral?

Comunicado da ONU não fará diferença na decisão do TSE sobre a candidatura de Lula (Foto: Reprodução/Internet)

Ao divulgar nesta sexta-feira (17) um comunicado ao governo brasileiro cobrando respeito aos direitos políticos do ex-presidente Lula (PT) – inclusive com a permissão para que ele dispute a eleição presidencial, mesmo estando na cadeia – o Comitê de Direitos Humanos da ONU ameaçou promover “sanções morais” contra o país, e advertiu que o descumprimento da determinação poderá render “má fama internacional”. É o mesmo que dizer que Lula continuará preso e fora da disputa, até porque, seria preciso muito esforço da ONU para sujar ainda mais a imagem política do Brasil no exterior.

Arrependimento e voto

Confissão de arrependimento de Paulo Câmara corrobora tese petista de que impeachment de Dilma Rousseff teve motivação política (Foto: Arquivo/PR)

Ao se confessar arrependido de ter defendido o impeachment de Dilma Rousseff (PT), nesta quinta-feira (16), o governador Paulo Câmara não necessariamente reconhece a inocência da ex-presidente das acusações de que ela teria cometido as famosas pedalas fiscais. Está, tão somente, comparando a situação a “algo pior”, que teria vindo depois da petista – no caso, o presidente Michel Temer (MDB). Ora, à letra da lei não importam avaliações do desempenho do sucessor no governo. Interessa é saber se um crime foi ou não cometido, e se sua gravidade merecia mesmo ser punida com a retirada do mandato.

Pressa e pressão

Campanha em curso e aumento da pressão popular em favor de Lula contribuem para que PGR peça agilidade no processo de impugnação da candidatura (Foto: Reuters/Arquivo)

A estratégia de superexposição do ex-presidente Lula na mídia eleitoral, traçada pela cúpula petista, pode estar com os dias contados. Se depender da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, o agora candidato oficial do PT à Presidência da República não chegará nem a figurar no horário eleitoral gratuito de TV e rádio, que começa no dia 31 deste mês. Depois de pedir ontem a impugnação da candidatura do ex-presidente – num espetacular intervalo de menos de uma hora após ela ter sido registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – Dodge voltou à carga nesta quinta-feira (16). Em ofício ao TSE, pediu que a Corte comece a contar desde já o prazo para a defesa de Lula se manifestar no processo.

Apertando o cerco

Militância petista cerca o prédio do TSE, em Brasília, durante o registro da candidatura de Lula à Presidência (Evaristo Sá/AFP)

Tão cenográfica quanto a candidatura de Lula (PT) foi a mobilização que reuniu milhares de simpatizantes nas avenidas da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, na tarde desta quarta-feira (15), para acompanhar o registro do nome do ex-presidente na disputa deste ano. Se a ideia era marcar a justiça sob pressão e criar um fato político diferenciado, a manifestação atendeu aos seus objetivos. Ao final, o prédio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estava completamente cercado.

Na linha de largada

(Reprodução/Internet)

Termina daqui a pouco, às 19h desta quarta-feira (15), o prazo para registro de candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até agora, dos 13 nomes previstos para a corrida presidencial, cinco ainda não apresentaram seus pedidos à Justiça. Entre eles, o caso mais aguardado é o do ex-presidente Lula. Embora seja um ato meramente protocolar, o PT pretende fazer do registro de Lula um mais evento de protesto contra a sua prisão. Aliás, ao longo de toda a campanha, este deverá ser um assunto muito comentado, mais até que algumas das próprias candidaturas.

Eterna fogueira das vaidades

(Reprodução/Brasília em chamas, de Bruno Steinbach)

A segunda eleição presidencial mais concorrida desde a redemocratização traz, este ano, 13 nomes interessados na cadeira de chefe da Nação. Campanha nas ruas, agora cabe aos candidatos explicar os motivos que os movem nessa corrida. Se a resposta for a velha ladainha de mudar o Brasil, com mirabolantes programas sociais e econômicos e, sobretudo, com novos investimentos, desconfie. Ou seu candidato está mentindo ou é um total desinformado.

Boca no trombone

Na reta final do prazo para registro de candidaturas, Lula busca respaldo no exterior com artigo publicado no New York Times (Foto: Arquivo)

Preso e impedido de se pronunciar publicamente, o ex-presidente Lula resolveu literalmente botar a boca no mundo. Um artigo de sua autoria, traduzido para o inglês, foi publicado nesta terça-feira (14) pelo jornal norte americano New York Times, no qual Lula defende seu lado logo a partir do título: “Eu quero democracia, não impunidade”. No texto, ele repete o discurso de que existe um golpe da direita em curso no Brasil, e volta a defender a legalidade da sua nova candidatura à Presidência da República, mas adverte que “o tempo está correndo contra a democracia”.

Quem vai ganhar as eleições?

(Reprodução/Internet)

O labirinto em que se transformou o cenário das eleições no Brasil este ano será discutido nesta terça-feira (14) por especialistas com larga experiência em campanhas eleitorais. O seminário “Eleições Presidenciais: quem vai ganhar?” acontece a partir das 14h30, no auditório do Empresarial Cervantes, na Ilha do Leite, sob a promoção do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe).

Uma rosa linha dura

Discreta e avessa aos holofotes, ministra do STF assume o comando da Justiça Eleitoral nesta terça. Uma mudança que não facilita em nada a vida do ex-presidente Lula (Foto: Carlos Moura/STF)

Embora o Supremo Tribunal Federal (STF) tenha se tornado praticamente um palco, sob tantos holofotes, ao menos de uma personagem pouco se ouviu a voz ao longo de todo esse processo de estrelato de togas: o da ministra Rosa Weber. A mais reservada entre os 11 integrantes da Corte Supremo do país assume nesta terça-feira (14) a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a apenas três dias do início oficial de uma das campanhas eleitorais mais fora da curva dos últimos tempos, que entre outras características peculiares, conta com um ex-presidente da República preso, cujo partido insiste em inscrevê-lo na disputa e finge acreditar piamente na sua libertação a tempo de participar das mobilizações e de pedir votos na televisão e no rádio.