Barbosa, um investimento de alto risco

Joaquim Barbosa com a cúpula do PSB: dificuldades no caminho da candidatura (Foto: Humberto Pradera/PSB)

Ao investir pesado no ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, para a disputa presidencial, o PSB fez um investimento de risco. Embalados pelo bom desempenho do nome nas pesquisas de intenção de voto, os socialistas deixaram em segundo plano alguns detalhes importantes. Entre eles, o temperamento instável do ex-ministro, que pode até não ter interferido tanto na sua atuação como magistrado – embora seus humores não tenham deixado muitas saudades entre seus colegas de toga – mas, como candidato ao maior cargo eletivo do país e, principalmente, como “homem do povo”, vai pesar de maneira fundamental, tanto no contato com os eleitores, equipe e imprensa como nos momentos das tradicionais trocas de farpas entre os concorrentes.

Brecha para a impunidade

Romero Jucá com o colega Aécio Neves: líder do governo Temer tem 13 processos no STF (Foto: Arquivo)

Mais uma vez, uma brecha na legislação pode ajudar a salvar a pele de senadores e deputados federais alvos de processos no Supremo Tribunal Federal (STF), que retoma, no dia 2 de maio, o julgamento da ação que pede o fim do foro privilegiado para mandatários e autoridades. O benefício garantido aos parlamentares impede que sejam julgados em outras instâncias, até mesmo por crimes cometidos anteriormente ao mandato. É exatamente isso que o STF quer coibir, restringindo o benefício apenas para desmandos cometidos durante o atual mandato, e mais: somente os que estejam relacionados ao exercício parlamentar.

Os dois netos de Tancredo

Tancredo Neves e os netos Andréa e Aécio, em 1984: lições de boa política terminaram ignoradas (Foto: Reprodução/Facebook)

Até outubro de 2014, quando disputou a Presidência da República, o tucano Aécio Neves era citado por aliados, e até por alguns adversários, como um político articulado e de boa conversa. Qualidades que teria herdado do avô, Tancredo Neves, falecido em 1985 quando estava prestes a assumir a Presidência da República. Na época, Aécio assessorava o ex-governador mineiro, cujo papel como articulador junto aos governos militares foi fundamental para enterrar a ditadura e consolidar o processo de redemocratização.

Lava Jato no centro da campanha

Pesquisa põe corrupção no topo na lista de problemas do país, mas confiança na Lava Jato permanece (Foto: Arquivo)

Um dos itens contidos na ampla pesquisa divulgada esta semana pelo Instituto Datafolha serve de alerta e, ao mesmo tempo, indica um mote para a campanha eleitoral. A amostragem, que entrevistou 4.194 pessoas em 227 municípios espalhados pelo país, revela que a corrupção assumiu o posto de principal problema dos brasileiros. Com 21% de citações, supera temas caros ao cotidiano, como saúde, educação e moradia. De quebra, o levantamento traz uma leitura importante para candidatos, marqueteiros e políticos em geral: ao contrário de temas propositivos, a corrupção deverá ser o principal assunto da campanha eleitoral deste ano. Mas nem todos os candidatos poderão tratá-la com autoridade, e menos ainda serão os que, ao abordarem o assunto nos palanques, conseguirão convencer os eleitores. Vale lembrar que, atualmente, cerca de dois terços dos integrantes do Congresso Nacional – Câmara e Senado – estão sob algum tipo de investigação ou questionamento judicial.

Barbosa pode ressuscitar o PSB

Potencial de Joaquim Barbosa nas pesquisas anima o PSB, mas ainda falta unidade no partido (Foto: Nelson Jr./STF)

É bem verdade que pesquisa retrata apenas o momento em que é realizada. E foi nesse espectro que o novo levantamento do Instituto Datafolha – divulgado no domingo – reforçou os ânimos dos defensores da candidatura do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, à Presidência da República dentro do PSB. Ainda dividido entre os que preferem investir na disputa proporcional, a fim de fortalecer a bancada na Câmara a partir de 2019, e os que apostam na tese da candidatura própria, ao menos uma ideia une os socialistas: é preciso tomar um rumo o mais rápido possível, se não quiserem deixar passar o cavalo selado. A preferência pelo nome de Barbosa oscila entre 8 e 10%, e mesmo ainda sem ter se declarado candidato, ele chega bem próximo do primeiro pelotão na corrida eleitoral.

Questão de equilíbrio

(Reprodução/Internet)

Duas decisões tomadas esta semana, se analisadas no conjunto dos acontecimentos recentes do Judiciário, podem sugerir – ou, para alguns, confirmar – o desequilíbrio que estaria havendo na apreciação de ações e recursos em relação a integrantes de partidos políticos envolvidos em corrupção. Mais precisamente, petistas e tucanos. Não se trata aqui de defender A ou B, até porque santo, nessa capela, não tem nenhum. Mas as recentes decisões tomadas por tribunais de última instância, num país onde tudo agora gira em torno da polarização de forças, contribuem para fazer com que militantes de ambos os lados salivem ainda mais.

Realidade em série

 

José Yunes e Michel Temer: eventual delação pode complicar o amigo (Foto: Arquivo/Folhapress)

Acusações velhas, requentadas para sustentar uma denúncia sem provas. Delações premiadas colhidas em depoimentos repletos de incoerências e contradições. Uma campanha articulada para difamar um político contra o qual nada foi definitivamente confirmado, e sem que as investigações produzam fatos reais. Não, não se trata do ex-presidente Lula, embora as semelhanças das palavras sejam imensas. Essas, na verdade, foram as justificativas apresentadas pelo Palácio do Planalto sobre a denúncia feita à Justiça Federal pela Procuradoria da República, em Brasília, contra dois grandes amigos do presidente Michel Temer: o coronel João Baptista Lima Filho e o advogado José Yunes, acusados de atuar como arrecadadores de propinas do emedebista.

A voz que vem do cárcere

Mesmo preso, Lula continuará dando as cartas no PT e mobilizando a militância (Foto: Reprodução/Internet)

Os próximos dias serão de extrema curiosidade a respeito do cenário político-eleitoral do país. De um lado, Lula, o ex-presidente mais popular da história recente, terá chances de mostrar o tamanho da sua força política, provar que continua a mobilizar as massas e lastrear o tom desafiador da nota divulgada pela direção nacional petista após sua prisão, prometendo ocupar Curitiba com a militância até que ele seja solto. Do outro lado, seus adversários – e inclua-se na lista o juiz Sérgio Moro – temendo que a fórmula “prendemos Lula e estará tudo resolvido” não funcione conforme o esperado.

Lula precisa dar o exemplo

Apresentando-se voluntariamente na prisão, Lula estaria mantendo a altivez de líder. Resistir só vai causar mais danos à sua imagem (Foto: Mauro Pimentel/AFP)

Ao organizarem um movimento de resistência para tentar impedir o cumprimento de uma decisão judicial, os aliados de Lula estão, na verdade, colocando a última pá de cal na história do ex-presidente da República mais popular dos últimos tempos no Brasil. Com um país polarizado e arrastado para o lamaçal do ódio político, descumprir a ordem de prisão, já avalizada legalmente pelos tribunais, é empurrar esse cenário ainda mais ladeira abaixo. Uma saída muito mais honrosa e estratégica, neste momento, para Lula, seria entregar-se em Curitiba, dentro do prazo estipulado pelo juiz Sérgio Moro e sem permitir reações violentas nas ruas.

É hora do plano C

Decisão do STF tira Lula da disputa e pode acelerar negociações entre o PT e Ciro Gomes (Foto: Arquivo)

Ainda que, por força de algum recurso ou reviravolta no processo, o ex-presidente Lula consiga escapar da prisão, uma coisa parece bastante certa: ele não será mais candidato à Presidência da República. Condenado em segunda instância, Lula já é considerado ficha suja, e mesmo que insista em inscrever-se na disputa, em agosto, deverá ter seu nome rejeitado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É hora, portanto, de o PT começar a discutir mais claramente uma alternativa – algo que já vinha fazendo de forma discreta – se não quiser arrefecer a resistência da sua militância. E o “plano B” do partido, na verdade, poderá ser um “plano C”, de Ciro Gomes.