Economia requentada

Projeto que garante autonomia ao Banco Central está no cardápio de pautas frias do governo, e deve gerar polêmica (Foto: Roberto Stuckert Filho/O Globo)

Consumado o previsível naufrágio da reforma da Previdência, e feita a opção política de substituí-la pela pauta da segurança pública – mais palatável à sociedade – o presidente Michel Temer (MDB) decidiu requentar algumas propostas que congelavam nas gavetas do Palácio do Planalto, em uma tentativa de acalmar o mercado, frustrado com o fracasso da perspectiva de ajuste previdenciário. As novas medidas que serão enviadas ao Congresso Nacional mexem, na maioria, apenas com a microeconomia. Mas a expectativa da equipe econômica do governo é de que possam servir de paliativo para manter a discreta curva ascendente da economia.

A necessária intervenção do eleitor

(Reprodução/Internet)

A Câmara dos Deputados vota, na noite desta segunda-feira (19), o primeiro decreto de intervenção federal já editado por um presidente da República desde a promulgação da atual Constituição, em 1988. A matéria deve ser aprovada com folga, claro. Afinal, com gente morrendo diariamente nas ruas, ficar contra significa perder votos nas urnas de outubro. Mas a votação do decreto a toque de caixa – prevista inclusive pela Constituição, pela urgência da situação – empata uma melhor reflexão sobre as verdadeiras responsabilidades.

Intervenção fatal na reforma

Militares nas ruas do Rio de Janeiro: pauta da segurança pública suplantou a reforma da Previdência (Foto: Arquivo/ABr)

A Câmara dos Deputados abrirá sua primeira semana efetiva de trabalho após as férias de recesso com uma pauta inesperada. A aguardada discussão da reforma da Previdência dará lugar à votação, em regime de urgência, do decreto de intervenção federal no Rio de Janeiro. Uma jogada do presidente Michel Temer (MDB) que, além de representar mais uma tentativa de elevar sua popularidade, visa a criar uma cortina de fumaça para disfarçar o naufrágio final da reforma, já sem nenhuma condição de aprovação no Legislativo.

Gesto maior que o discurso

Encontro entre Paulo Câmara e Lula, em São Paulo, foi carregado de simbolismos (Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação)

A velha máxima de que política é feita muito mais de gestos que de palavras nunca esteve tão atual. Após o encontro que mantiveram, nesta quinta-feira (15), em São Paulo, o ex-presidente Lula (PT) e o governador Paulo Câmara (PSB), de fato, não precisariam dizer nada. O gesto falou por ambos. No xadrez político montado pelo PSB pernambucano para garantir a reeleição do governador, faltam agora apenas um ou dois movimentos para o xeque-mate, representado pelo fechamento de uma aliança com os petistas.

Não vai faltar dinheiro na campanha dos caciques em 2018

João Doria: injeção de quase R$ 5 milhões de recursos próprios na campanha em São Paulo (Foto: Arquivo/PSDB)

Para alguns candidatos a deputado federal e estadual nas eleições deste ano, o tradicional financiamento privado de campanhas – vetado pela Justiça desde 2016 – não deve fazer falta. A autorização dada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aos partidos para bancar campanhas com dinheiro do Fundo Partidário vai encher o caixa. São, ao todo, R$ 888,7 milhões, que poderão ser somados aos R$ 1,7 bilhões do fundo público eleitoral, aprovado pelo Congresso Nacional no ano passado, elevando a níveis estratosféricos os gastos de campanha, mas apenas para os mais privilegiados.

O circo da razão

Retratado como o “vampirão neoliberal” pela Paraíso do Tuiuti, Temer foi um dos protagonistas dos protestos no Carnaval (Foto: Marcos Serra Lima/G1)

Dizem tradicionais marchinhas que o Carnaval é o período em que as pessoas esquecem as tristezas e angústias para dar lugar à alegria e à ilusão. Mas este ano, foi um tanto diferente. Com a situação social, econômica e política do país beirando o precipício, o brasileiro caiu na folia sem esquecer os problemas, e registrou sua indignação de forma contundente. O recado dado por escolas de samba, blocos de rua e mesmo pelos foliões anônimos foi claro, embora seja provável que, ainda assim, a classe política mais uma vez se faça de surda e insista em ignorar uma situação cada vez mais insustentável.

Cerco fechado ao PT

Lula e Paulo Câmara têm trocado gentilezas, sinalizando uma aproximação pontual no Estado (Foto: Arquivo)

Em Pernambuco, o PSB e seus aliados vão, aos poucos, cercando os petistas por todos os lados, sonhando com uma aliança para as eleições deste ano. De um lado, o governador Paulo Câmara (PSB) – candidato à reeleição – e o prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), principais caciques socialistas, fazem acenos públicos a líderes do PT como o senador Humberto Costa e o ex-prefeito João Paulo. No outro flanco, o deputado federal Jarbas Vasconcelos (MDB), aliado de Paulo e ferrenho crítico dos governos petistas de Lula e Dilma Rousseff, baixa a guarda e se declara aberto ao ingresso dos petistas na Frente Popular de Pernambuco.

FHC e as mariposas do poder

Elogios de FHC a Luciano Huck irritaram Alckmin e provocaram rebuliço no PSDB (Foto: Reprodução)

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deu uma grande chacoalhada interna no PSDB, no início desta semana, com declarações elogiosas ao apresentador global Luciano Huck. Ao afirmar que uma candidatura do âncora do Caldeirão seria “bom para arejar o Brasil e botar algum perigo na política tradicional”, FHC despertou a ira do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e seu grupo político. Pré-candidato ao Palácio do Planalto, o tucano teria confidenciado a auxiliares que não aguenta mais o aliado ilustre jogando publicamente contra.

Lula compartilhado

Embora dividindo opiniões, nome de Lula se multiplica com força nas redes sociais (Foto: Ricardo Stuckert/Arquivo)

Juliano Domingues*

Fazer política é disputar versões de uma mesma realidade. Na batalha por construção de sentido, a mídia é protagonista. A repercussão do julgamento de Lula no TRF4 é uma excelente amostra disso, tanto nas redes sociais quanto nos veículos noticiosos. O Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic/UFES) oferece um precioso material a esse respeito. No dia 24 de janeiro, às 12h, a mídia nacional havia publicado 147 notícias sobre o julgamento em seus portais. As Organizações Globo se mostraram as mais interessadas no tema, seguidas por Zero Hora (MG) e Folha de S. Paulo. A investigação desses números, associada ao comportamento de usuários nas redes sociais, contribui para desvendar enquadramentos.

O efeito Marília Arraes

Bloco das oposições aposta na candidatura de Marília como estratégia para levar a disputa ao segundo turno (Foto: Arquivo)

Quem mais torce pelo lançamento de uma candidatura própria do PT ao governo do Estado nas eleições deste ano são os caciques do bloco das oposições. Os senadores Fernando Bezerra Coelho (MDB) e Armando Monteiro (PTB), além dos ministros Mendonça Filho (DEM), Fernando Bezerra Filho (MDB) e o ex-ministro Bruno Araújo (PSDB), avaliam uma candidatura petista como um auxílio eficaz na estratégia de levar a disputa contra o governador Paulo Câmara (PSB) ao segundo turno, facilitando a vida do candidato do grupo.